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Mostrando postagens com o rótulo crítica literária

Amar mais Jesus: Edificação através de livros, filmes e séries

 O Sol correndo pelo céu é como um noivo percorrendo a terra. O casamento de um homem e uma mulher é símbolo da união entre Cristo e a igreja. O Senhor é rocha, fortaleza, libertador, rochedo, refúgio, escudo, salvação. Quando perguntaram ao Senhor quem era o “próximo”, Ele contou uma história. Nós somos feitos de maneira que conseguimos conhecer o mundo, os outros, nós mesmos e Deus através de histórias. O meu propósito nesse texto é esboçar algumas formas em que tenho sido edificado através da interação com a cultura (especialmente a literatura). Em outro texto , a literatura é meio de amar mais o próximo como a si mesmo. Aqui, como meio de amar mais a Deus acima de todas as coisas; especificamente, meio de amar mais Jesus. Na Bíblia: Amando o Rei que vem Podemos ver a base dessa lógica na própria Escritura. O livro de Cântico dos Cânticos nos mostra a riqueza do amor humano para dar ainda mais peso ao amor de Cristo (Ef 5:32; Ct 8:14, Ap 22:20); o livro de Juízes mostra a t...

Amor (III), de George Herbert | Tradução de Poema

 O Amor me deu boas-vindas, mas hesitei   Sujo de pó e pecado  Mas o esperto Amor, vendo que desconfiei  Desde que eu tinha entrado  Com ternura se achegou a mim, me perguntando  Se algo estava faltando  “Um convidado que tivesse merecido.”  O Amor: “Você será.” “Eu, que sou o insensível, o ingrato? Ah querido,  Não posso nem te olhar.”  O Amor pegou minha mão, sorriu, respondeu:  “Quem fez o olho senão eu?”  “Sim, senhor, mas eu o manchei: tal me envergonhou,  O que ganhei terei.”  “E não sabe" — o Amor — “quem a culpa levou?”  “Querido, eu servirei.”  “Deve sentar” — o Amor — “a carne eu já provi.”  Então eu sentei e comi.

"Eu entrei": A Teoria Literária de C. S. Lewis Aplicada ao Livro de Jó

 Para que serve a literatura? Para muito, em todo sentido. Mas, um sentido particular em que edifica o homem é na empatia. C. S. Lewis esboça sua teoria literária em “Um Experimento em Crítica Literária”, e é a partir das ideias dele que quero construir aqui um pequeno retrato de uma perspectiva enriquecedora da Literatura, e exemplificá-la com o livro de Jó. A história é para mostrar, não para convencer A forma mais fácil de justificar a literatura é alegar que ela é uma forma de ensino. Isso, no entanto, é um reducionismo: quanto apreciamos histórias que não ensinam nada novo? A arte está sempre mais próxima de um exercício do que de um aprendizado, ou, nos termos de C. S. Lewis, não é uma questão de “usar” mas de “receber”. Em outras palavras, diferente do texto argumentativo, o propósito principal do texto literário não é convencer o leitor de algo, mas simplesmente mostrar algo a ele. Citando Lewis, “Nós nos sentamos diante da imagem para que algo aconteça conosco, e não para ...

Machado na apostila: A diferença da leitura comum para a leitura literária

 Eu gostaria de trazer aqui um pouco do que tenho lido e pensado a respeito da literatura, focando não tanto quem lê ou o que lê, mas como lê, pois creio que existem dois modos diferentes de encarar os textos. Há, primeiro, a leitura comum, que é a da apostila ou de qualquer texto informativo, e preocupa-se com a informação . Lendo desse modo, o leitor me parece estar sempre resumindo e sintetizando ao máximo os dados da leitura. No entanto, a leitura de literatura não pode ser desse modo e se deter meramente na informação, mas precisa ir além e considerar os aspectos formais e os efeitos do texto, afinal a morte de Brás Cubas não é manchete de jornal, mas sim obra de arte. Por isso, o leitor precisa estar treinado e equipado para ler de maneira diferente os textos literários, sem meramente resumir a informação, como um jornalista, mas atentando a todo o impacto dado à informação no texto, como um crítico, ou seja, lendo de um modo especificamente literário, que é o segundo modo...

Das Veias de Emanuel, Edilson Botelho | ACQMF #7

         Das Veias de Emanuel, Edilson Botelho       “Há uma fonte transbordando sangue puro, / que nasceu das veias de Emanuel. / Quem morreu na amargura do pecado / sabe o quanto é doce nela mergulhar.”  Um hino lindo. De todas canções compostas pelo Stênio Marcius, essa é a que ainda mais me fere todas as vezes que escuto.¹ O irmão Edilson Botelho canta a imagem de um lago que brota sangue para falar da nossa salvação. É desconfortável? Sim, essa imagem é bastante gráfica e violenta. É incrivelmente acertada? Sim, é a imagem que me dá a maior esperança quando lembro do meus pecados.      Sangue. Morte. Salvação.  Vamos seguir o fluxo do hino. Vamos começar justamente com essa imagem: “Há uma fonte transbordando sangue puro que nasceu das veias de Emanuel.” Ele quer que vejamos um lago, transbordando só de sangue. Se acompanhamos a fonte de onde ele sai, nossos olhos são levados à Cruz, pois é de lá que esse sangue ...

Inimigo de Deus Eu Nasci, ReformedSound | ACQMF #6

        Inimigo de Deus Eu Nasci, ReformedSound       “Nada em mim para Deus desejar, / nada em mim para Deus ter prazer. / Como amou-me? / Meu caminho foi escuridão, / cada passo foi rebelião, / Como amou-me?”  Dessa vez, um grupo, ReformedSound. São de uma igreja reformada do Rio de Janeiro e me ajudaram muito quando comecei a ter uma noção maior do tamanho do pecado e da liberdade da graça do nosso Deus. Escolhi esse louvor, mas ouvi diversos deles, e gostei muito. Constrangedora sinceridade  Aqui o que mais me chamou a atenção – e feriu – foi a forma que essa canção fala da nossa condição diante de Deus. É muito honesta. Com esses irmãos eu aprendi a confessar abertamente meu pecado ao Senhor, sem a hipocrisia de tentar me justificar, afinal não há justificativa para o pecado. Posso me arrepender dos meus pecados de coração e por completo, percebendo que não há nenhuma desculpa. Por isso, aprendi também a ver de um jeito mais ...

Fé pra Viver, Stênio Marcius | ACQMF #5

       Fé pra Viver, Stênio Marcius       “E eu fui e pisei / sobre as águas e andei, / flutuei, levitei. / E senti um pouquinho do céu, / Seu olhar com poder me envolveu. / Por um breve momento entendi o que é / existir tão somente por fé.”  Novamente uma canção do nosso irmão Stênio Marcius. Um dia, enquanto eu ouvia os seus hinos, acabei encontrando esse, “Fé pra viver”. É baseado na ocasião em que Jesus andou sobre as águas e Pedro foi encontrá-lo, conforme narrada em Mateus 14:22-33. Por ser baseado nessa passagem, eu ficaria um pouco suspeito em relação ao hino, pois muitas pessoas usam esse texto de um jeito errado, esquecendo o contexto, fazendo alegorias. Mas, graças a Deus, não é isso que o Stênio faz aqui. Pelo contrário, ele é muito fiel ao texto e nos conta a história do ponto de vista de Pedro, nos ensinando lições lindas. Ouvindo (e vendo) o texto  A primeira coisa que me cativou nessa canção é o modo que a letra e a mús...

O Centurião Romano, Sérgio Lopes | ACQMF #4

     O Centurião Romano, Sérgio Lopes       “Quando Ele expirou o sol escureceu, / era mesmo o Filho de Deus. / Seu sangue em minhas mãos me fez entender / que por mim um inocente estava lá. / Pode um mortal, perante o próprio Deus, / ser irreverente e ateu?”   Dessa vez, um irmão que conheço bem pouco, mas que tem uma canção que foi chave na minha visão da crucificação. Sérgio Lopes quase não aparece entre as minhas músicas mais ouvidas, mas Centurião Romano verdadeiramente apresentou o Cristo Crucificado e Seu sangue escorrendo diante dos meus próprios olhos.   Esse hino é baseado em uma cena da crucificação de Jesus em Mateus 27, especificamente o versículo 54, que diz:   “E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus.” Sérgio Lopes usa a confissão do centurião pra nos fazer sentir, por um moment...