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Mostrando postagens com o rótulo J. R. R. Tolkien

"Não quero ser como Sauron": A sabedoria cristã na Sociedade do Anel

 Qual é o grande ponto de O Senhor dos Anéis? Sem dúvida, muita coisa pode ser encontrada na saga: o conforto do lar trocado pela vastidão lá fora, a ameaça de grandes esquemas fora do nosso controle, o descobrimento de culturas riquíssimas, amizades, lendas, poesia, e todo um mundo de significados e experiências. No entanto, creio que o principal fio condutor — o mito em torno do qual a história toma corpo — é este: o Maligno só será derrotado por alguém que vá desarmado até ele. Desde o concílio de Elrond isso fica explícito, mas já está implícito na conversa de Gandalf e Frodo sobre a história do Anel, e mesmo logo no início, quando Bilbo precisa abrir mão do seu poder. Já nas primeiras páginas descobrimos que esta não é a história do exército do Bem contra o exército do Mal, e muito menos a história de um “exército de um homem só” guerreando contra o Tirano maligno — na verdade, é a história do Bem humilde que carrega sozinho um fardo até o campo do inimigo, sem lutar.  ...

Análise do tema “tentação” na Sociedade do Anel | Lendo Tolkien

  Introdução  Alguns dias atrás terminei de ler A Sociedade do Anel, e pra mim foi muito bonito e edificante seguir o desenvolvimento de alguns temas do livro para aprender o que Tolkien pode nos ensinar sobre eles. Especialmente aqui eu quero apresentar a minha análise do tema "tentação", ou seja, vou fazer algumas observações sobre as vezes que Frodo é tentado a usar o Anel. Algo importante a se atentar é que enquanto para Gandalf, Galadriel e Boromir o Anel é uma tentação de poder absoluto, com Frodo não é assim. A tentação de Frodo é só desaparecer, e por isso talvez seja mais próxima de nós, se aprendemos algo do que acontece com ele.  Antes de qualquer coisa, acho que é melhor começar observando o modo que a tentação em geral é introduzida no livro. Isso acontece com Bilbo no primeiro capítulo, enquanto ele conversa com Gandalf. Bilbo é confrontado a deixar o Anel, e por isso age de modo obsessivo e nervoso. "É meu, eu te digo. É meu mesmo. Meu precioso." As...

"Contos de Fadas," ou, Retratos do Nosso Coração | Lendo Tolkien

 Esses dias eu li o livro Árvore e Folha de J. R. R. Tolkien, que contém um ensaio em defesa dos "contos de fadas" e algumas estórias curtas. Gostei tanto e aprendi tanto que acho proveitoso compartilhar essa leitura. Assim, hoje quero falar sobre como pode ser benéfica a leitura de estórias com final feliz, e como isso pode até mesmo ajudar a entender melhor a história que vivemos. Vou comentar o ensaio do Tolkien, trazendo dele algumas citações que esclarecem a função e os benefícios desse tipo de leitura. Antes de tudo, é importante definir o que tratamos como "conto de fadas." Nos termos de Tolkien, "contos de fadas" e fantasia em geral não tem muita diferença, porque "contos de fadas" não são estórias infantis, como normalmente pensamos. Antes, são estórias que satisfazem os anseios mais profundos dos seres humanos, como o desejo de explorar a beleza da vastidão do mundo, de ter comunhão com outros seres vivos, e de forma mais especial, o...