Qual é o grande ponto de O Senhor dos Anéis? Sem dúvida, muita coisa pode ser encontrada na saga: o conforto do lar trocado pela vastidão lá fora, a ameaça de grandes esquemas fora do nosso controle, o descobrimento de culturas riquíssimas, amizades, lendas, poesia, e todo um mundo de significados e experiências. No entanto, creio que o principal fio condutor — o mito em torno do qual a história toma corpo — é este: o Maligno só será derrotado por alguém que vá desarmado até ele. Desde o concílio de Elrond isso fica explícito, mas já está implícito na conversa de Gandalf e Frodo sobre a história do Anel, e mesmo logo no início, quando Bilbo precisa abrir mão do seu poder. Já nas primeiras páginas descobrimos que esta não é a história do exército do Bem contra o exército do Mal, e muito menos a história de um “exército de um homem só” guerreando contra o Tirano maligno — na verdade, é a história do Bem humilde que carrega sozinho um fardo até o campo do inimigo, sem lutar. ...
Conversando sobre a realidade da Redenção.